sexta-feira, junho 10, 2011

Sexta-feira rima com rock #8 – Banda The Kinks

O ritmo, que nasceu com os negros americanos, é filho direto do blues do Mississipi. Esse som eletrizante, proibido para as mocinhas brancas, era tachado pela conservadora sociedade capitalista americana dos anos 50 como coisa do diabo e que devia, a todo custo, ser evitado. Nunca conseguiram..

Nos anos 60, o mundo entrava de vez na sociedade de consumo. A televisão ditava todas as modas, e a guerra fria era a grande paranoia do momento. Garotos sonhadores percebiam que a música era o grande sonho libertário. Eles queriam mudar o mundo, mas, em vez de armas, eles pegavam em guitarras.

Esse é o caso da banda The Kinks, banda que eu já conhecia a um bom tempo, e que tive o prazer de receber como indicação pra falar aqui no Tri de 3... Então senta que lá vai história..


Créditos pela indicação: @BabiLonnie

The Kinks foi uma banda de rock britânica formada em Londres, em 1963, por Ray Davies, Dave Davies e Pete Quaife.

Embora não tenham sido tão inovadores como os Beatles ou populares como os Rolling Stones, os Kinks foram uma das mais influentes bandas da Invasão Britânica e provavelmente a mais representativa do movimento Mod, juntamente com o The Who e o Small Faces.

Durante sua carreira o grupo se tornou famoso por seus conflitos, tanto públicos quanto privados, particularmente entre os irmãos Ray e Dave, que frequentemente resultavam em agressões físicas.



Anos 60

The Kinks, que tiveram como primeiro nome The Ravens, começaram sua carreira em 1962, tendo gravado seu primeiro compacto pela Pye Records, com um sucesso de Little Richard: “Long Tall Sally”, mas foi no terceiro single que ficaram conhecidos. “You Really Got Me” pode ser considerada o nascimento do heavy metal, em 1964. Essa canção chegou ao 1º lugar nas paradas de sucessos britânicas e durante os 3 anos seguintes a criatividade e inspiração de Ray Davies produziria pérolas como “Tired of Waiting for You”, “Everybody’s gonna be happy”, “Set me free”, “I need you”, “See my friend” e “Till the end of the day” entre outras, sempre fugindo da mediocridade, através da introdução de coisas novas tanto na sonoridade como nos temas abordados pela banda. A postura “excêntrica” do grupo (justificando o seu nome), porém, trazia problemas para que fossem totalmente aceitos como um dos grandes grupos de rock da época. Com Face To Face (1966) e Something Else By The Kinks (1967) afiaram sua visão irônica da época e dos costumes britânicos em sucessos como “Death of a clown”, “Autumn almanac”, “Tin soldier man” e “Afternoon tea”. Mas, essa crítica atingiu níveis extremos em The Kinks Are The Village Green Preservation Society (1968) e Arthur Or The Decline Of The British Empire (1969). Esse último trabalho, que foi a primeira ópera-rock gravada, chocou a opinião pública pela forma direta como tratava a decadência econômica e moral do Império Britânico, e não chegou às paradas de sucesso. Mas deveria!

Anos 70

Lola vs. Powerman And The Moneygoround (1970), uma fábula sobre travestis, os levou novamente ao topo das paradas e consolidou sua fama também nos Estados Unidos, onde músicas suas se tornaram hinos na luta contra a guerra do Vietnam. Os Kinks aproveitaram o momento realizando grandes concertos e extraindo todas as possibilidades musicais de seus discos conceituais, com a incorporação de instrumentistas em seus shows. Seu próximo disco Muswell Hillbillies (1971), carregava forte influencia do country norte americano. Preservation: a play in two acts (1974), Soap Opera (1975) e Schoolboys in disgrace (1975) não trouxeram nada de novo, mas funcionaram como preparação para os ótimos Sleepwalker (1977) e Misfits (1978), álbuns com melodias marcantes e letras de qualidade, abandonando a necessidade de um fio temático condutor. Nessa época Jim Rodford assumiu o contra-baixo. A imprensa britânica se viu obrigada a divulgar o sucesso de seus megaconcertos americanos.

Anos 80

Low Budget (1979) e Come Dancing with The Kinks (1983), frequentaram as paradas de sucesso, e sua obra era resgatada por grandes nomes da época como David Bowie, Van Halen (“You really got me”) e The Pretenders (“Stop you sobbing”). Dois álbuns ao vivo, demonstraram toda a potência das performances do grupo, enquanto sua criatividade era reciclada: One for the Road (1980) e Give the People What They Want (1981). Em 1983, Ray Davies recebe a notícia que viria a ser pai de uma menina (Natalie), Fruto do seu relacionamento com Chrissie Hinde dos Pretenders. State of confusion (1983), Word of mouth (1984), Think visual (1986) e UK Jive (1989) estavam bem acima da média do que era produzido na época, apesar de não superar os trabalhos anteriores do grupo... Nesse período Bob Henrit substituía Mick Avory, na bateria.

Depois de uma carreira que atravessou os anos 60, 70 e 80 com algumas mudanças de formação, os Kinks se firmaram como uma das melhores bandas de rock do mundo (pelo menos pra mim..).


Em 1990, The Kinks foram indicados para o Rock and Roll Hall of Fame, reconhecendo sua contribuição para a música. Em 1993, lançam Phobia, que também resultou em uma grande tournée nos EUA. Em 1994, sai To The Bone, uma gravação ao vivo - em estúdio, de vários hits da banda. Em 1996 é lançada uma coletânea com os maiores sucessos da banda, cujo título é um trocadilho que reflete bem o pensamento daqueles que cultuam a música deste grupo: God Save The Kinks. Os Kinks terminaram nos anos 96, quando os projetos solo dos irmãos Davies passaram a ter mais importância para eles.

Em agosto de 2011, vai ser o aniversário de 47 anos (se não me falha a memória..) desde o lançamento de "You Really Got Me", canção com um dos mais memoráveis riffs da história do rock. Lançado pelos Kinks, este tema é honrado com a responsabilidade de introduzir pela primeira vez no rock o que os gringos chamam de power chord rock, ou seja, é o rock de acordes fortes ou poderosos. Essa música é considerada pelos críticos como a espinha dorsal de hard rock e heavy metal.





Não é novidade pra ninguém que a composição é do Ray Davies, mentor da banda The Kinks. O que ninguém sabe é que ela foi imaginada inicialmente mais lenta e influenciada pelo jazz de Gerry Mulligan. Foi seu irmão Dave Davies, guitarrista do grupo quem pegou as partes da canção imaginadas inicialmente para um saxofone tocar, e as executou em uma guitarra distorcida, dando à canção uma nova vida. Logo de cara o grupo concluiu que o melhor arranjo seria com um andamento mais acelerado mesmo. Quem bom que foi assim, não? Somado a isso tudo está a própria interpretação de Ray Davies, que não só fala sobre o tesão que está sentindo por uma menina, mas deixa claro o seu desespero e tormento na voz. Puta que pariu! Essa música é muito boa!!

Quem é essa garota? Até hoje isso é um segredo de estado, Ray nunca falou nada, mantendo privado o que não é da conta de ninguém. O que sabemos dela é que Ray a conheceu em abril de 1964 durante uma apresentação da banda em Newcastle, pouco depois do lançamento de seu primeiro compacto. Esta menina seria possivelmente a primeira groupie da banda, sua simpatia levando Ray a retornar com os Kinks mais vezes para tocar naquele local. Malandro né?

Nove dias depois, estavam gravando o primeiro demo da canção junto com outras duas composições. "You Really Got Me" foi a única música que a gravadora Pye Records recusou. A versão era muito ruim, e segundo o próprio Ray Davies, ainda bastante fora dos padrões comerciais. Com direito a finais falsos, era uma diversão ao vivo, mas que não funcionaria muito bem em uma gravação. Uma vez encontrado o arranjo ideal, a canção ao vivo logo se mostrou mágica, com o público se incendiando de tal maneira que a banda se viu obrigado a repetir a canção regularmente nos shows.

O segundo compacto dos Kinks saiu enquanto a banda estava em meio a uma excursão e sequer souberam do lançamento. Quando novas sessões de gravações foram marcadas, a banda fez questão de gravar sua nova pérola. Contudo, a gravadora, o produtor, o agente de excursões, o editor das músicas, mais os três empresários da banda, todos apontavam para a estrada que levava para canções imitando o estilo dos Beatles. (isso é intriga da oposição!!)

Contra toda essa pressão, Ray lutou bravamente, contestando com tamanha veemência a ponto de até os pretensos especialistas começaram a duvidar de suas certezas. Afinal, estes homens de negócios são todos mais velhos que o ainda adolescente compositor. Naquela época o rock ainda era uma selva pouco explorada. No final, contra tudo e todos, a gravadora Pye Records concedeu à banda a oportunidade de gravar a canção. Mesmo assim, o seu produtor Shel Talmy insistiu que o andamento fosse mais arrastado, o que ele classifica como sendo mais ‘bluesy’. A versão foi considerada pela banda como excessivamente produzida, tendo um grupo vocal, The Ivy League, fazendo ainda backing vocals.

Esta versão foi considerada um lixo por Ray Davies e por mim... Depois foi necessário uma nova guerra contra seus próprios empresários para que obrigassem a Pye a gravar a canção novamente, desta vez sem a palhaçada que foi feita na primeira gravação. A permissão foi concedida, contanto que a banda pagasse pela sessão do próprio bolso, condição aceita e uma data sendo logo marcada para julho.

A data exata é dia 12 de julho, um domingo, nesse dia a banda entrou no IBC Studios, cuja hora era mais barata do que o estúdio da Pye. Presentes à sessão, além dos quatro Kinks estavam o responsável pela sessão, o produtor Shel Talmy, o engenheiro de som da IBC Studios, um jovem Glyn Johns, mais os três empresários, Larry Page, Grenville Collins e Robert Wace.

Talmy, que sempre trabalhava com músicos profissionais como âncoras, uma vez que a maioria das bandas novas eram formadas por músicos amadores, trouxe para a sessão a sua equipe de sempre. Nela estão um baterista profissional que acabaria tocando em todas as gravações dos Kinks durante o primeiro ano, chamado Bobby Graham. Havia ainda o jovem pianista Arthur Greenslade, e garantindo o rítmo, o guitarrista conhecido ainda como Little Jimmy Page (em oposição a outro guitarrista de estúdio “Big Jim Sullivan”) e sua Telecaster. Mick Avory, o verdadeiro baterista da banda, conseguiu no máximo a permissão do produtor de participar tocando o pandeiro. Puta sacanagem isso né?

Uma das razões que fazem esta canção tão distinta de tudo feito antes, é o som da guitarra de Dave Davies. Utilizando uma guitarra barata, uma Harmony Meteor, ligada a um amplificador Vox AC-30 como cabeça, que por sua vez era ligado a um amplificador Elpico, que é uma cebolinha das mais vagabundas da história da música, aproveitando apenas o alto-falante. Dave havia furado com um lápis os lados do cone do alto-falante de seu Elpico, além de espetar tudo com agulhas de costura, fazendo com que o som soasse mais rachado e distorcido. Em humor típico de adolescente, apelidou seu monstrinho de ‘fart box’ ou seja, caixa-de-peido. O resultado é um som milhas de distâncias de qualquer outra guitarra de sua época. É claro que o solo de guitarra executado por Davies, extremamente instigante, também tem seus méritos.

Segundo dizem as más linguas, a canção foi gravada em duas tomadas usando um gravador mono. Depois que a segunda versão foi escolhida como a boa, passaram a gravação de uma fita para outra enquanto faziam os vocais. Esta foi a técnica utilizada para alcançar o som mais cru desejado. Satisfeito com seu êxito, o tesouro foi então entregue para a Pye Records que a lançou no dia 4 de agosto.

Alguns jornais faziam suas análises corrigindo gramaticalmente o nome da canção, para “You’ve Really Got Me”. Muitos consideram a canção um pouco tribal demais, embora praticamente todos concordassem que provavelmente iria vender bem. E como vendeu. O sucesso foi tão estrondoso quanto imediato.

Iniciando seu caminho nas paradas, “You Really Got Me” entra em No. 22, chegando na semana seguinte ao topo das paradas de sucesso. O compacto vendia tanto que a Pye inicialmente diminuiu para então suspender completamente as prensagens de outros artistas, para que todas as suas prensas pudessem dar conta da demanda pelo disco.

Mais do que apenas mais uma canção pop a ser coqueluche durante um ano a muitos e muitos anos atrás, “You Really Got Me” dos Kinks abriu o caminho para um rock que inicialmente tentaria apenas ser mais alto, para mais tarde, procurar efetivamente ser mais pesado. The Who e Small Faces começariam emulando The Kinks em seu estilo musical e imagem mod. Porém mais duradouro, embora imprevisível, seria a influência que “You Really Got Me” teve em rocks chamados pesados. Viriamos a curtir no final dos anos sessenta canções como “Smoke On The Water” do Deep Purple, "Heartbreaker", e "Whole Lotta Love" do Led Zeppelin, além de "Paranoid" e "Sabbath Bloody Sabbath" do Black Sabbath, todos usando a mesma concepção do powerchord riff. E estes são apenas os exemplos mais conhecidos, dada à dimensão do sucesso dessas bandas.

O último atestado da força da canção talvez seja o sucesso da versão feita pelo Van Hallen já na década de oitenta. Enfim, mesmo se The Kinks não tivessem feito absolutamente mais nada e se tornado uma banda de uma música só, feito The Kingsmen e sua versão para “Louie, Louie”, o impacto sozinho de “You Really Got Me” os colocaria em um patamar especial do rock.

Então, por hoje é só.. Os kinks continuam sendo referência no rock mundial, por isso ganharam esse espaço aqui no Tri. Espero que tenham gostado.

Deixe sua opinião nos comentários... Semana que vem tem muito mais rock aqui no Tri de 3... VLWW!!





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