terça-feira, novembro 18, 2008

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Obamania?


Esqueça Miley Cyrus, Amy Winehouse e Angelina Jolie. A maior celebridade hoje em dia é o futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Nos quatro cantos do mundo há pessoas tentando embarcar de todas as maneiras na "Obamania", um fenômeno que dá ares messiânicos ao político americano, e que deve durar pelo menos até ele começar a enfrentar as agruras do comando de um país que enfrenta a maior crise econômica em 80 anos e duas guerras.


Nanobama
Os obamas microscópicos criados na Universidade de Michigan são formados por milhões de nanotubos de carbono alinhados verticalmente
Durante a campanha, a retórica quase perfeita e o desprezo pela "política tradicional" de Washington ajudaram Obama a conquistar eleitores até nos estados mais republicanos do país. Depois da eleição, Obama virou um popstar. No último domingo, após sua primeira entrevista exclusiva como presidente eleito, ele provocou uma corrida às livrarias. O interesse das pessoas era no livro que Obama disse estar lendo – "algo sobre os primeiros 100 dias de Franklin Delano Roosevelt no governo", como ele disse. Houve uma polêmica acerca de qual seria o livro – havia três com o mesmo tema – e a assessoria de Obama teve que esclarecer que era o livro escrito por Jonathan Alter, repórter da revista Newsweek. Após o anúncio, a editora precisou imprimir 5 mil cópias extras do livro para atender aos pedidos das livrarias.

A ciência também tentou embarcar na "Obamania". Um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan desenvolveu retratos em três dimensões de Barack Obama menores que um grão de sal. O objetivo? Fazer com que a nanotecnologia, a técnica de construir estruturas a partir de átomos, "chegasse a um público maior", segundo as palavras de John Hart, líder do grupo de pesquisa, que batizou as figuras de “Nanobamas”.

A imprensa também não perdeu tempo para faturar em cima do fenômeno. O Washington Post e o Chicago Tribune mantêm, até hoje, links em suas páginas principais anunciando a venda de exemplares das edições de 5 de novembro, dia seguinte à eleição de Obama. O Tribune, um jornal fundado por um republicano e que jamais havia declarado apoio a um candidato do partido Democrata, quebrou esse tabu ao referendar o nome Obama e vai mais longe na adoração ao futuro presidente.

Também na página principal da publicação na internet há um infográfico sobre a “Chicago de Barack Obama”, na qual o internauta pode conhecer, por mapas e fotos, as partes da cidade mais importantes na vida do político, como o local em que conheceu Michelle Obama, as casas em que morou, e até o barbeiro em que costuma cortar o cabelo.

A tática de se aproveitar da fama do sucessor de George W. Bush pode até causar estranheza, mas funciona. A pacata cidade litorânea de Obama, no Japão, era desconhecida até para turistas japoneses antes da corrida presidencial americana. Depois de anunciar apoio formal ao então candidato – apenas por conta do nome em comum – houve um aumento de 20% na quantidade de turistas que freqüentam a cidade.

Peru oferece cachorro careca a Obama

Barack Obama prometeu às suas filhas Malia, de 10 anos, e Sasha, de 7 anos, um cão para viver na Casa Branca. Contudo, Malia é alérgica à maioria dos cães. Para resolver a questão, a Associação dos Amigos do Cão Pelado Peruano entregou na embaixada dos Estados Unidos em Lima uma carta oferecendo um exemplar da raça a Obama. As informações são da agência Reuters.

Os cães pelados peruanos surgiram há mais de 3 mil anos, no período pré-hispânico. Como esses cães não possuem pêlos (e muitas vezes também são desdentados), as crianças alérgicas costumam ser menos sensíveis a eles. “Nós queremos dar um cão às filhas do Obama, para que elas vivenciem todas as alegrias de ter um animal, mas sem ter alergias”, afirmou Cláudia Galvez, diretora da Associação de Amigos do Cão Pelado Peruano.

De acordo com o folclore peruano, os cães pelados peruanos possuem a temperatura de seus corpos acima do normal, para compensar a falta de pêlos. O cão escolhido para possivelmente ser enviado ao presidente tem pedigree, quatro meses de idade e por enquanto é chamado de Ears (orelhas, em português). Mas se for enviado aos Estados Unidos, seu nome será oficialmente alterado para Machu Pichu, em homenagem à atração turística peruana.


Um Hit Chamado OBAMA

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, virou tema de várias músicas. Em todas, ele é tratado como um ídolo. No Brasil, só Getúlio Vargas recebeu tantos agrados de compositores, mas longe de comparação com o fenômeno americano.

Entre as inúmeras façanhas de Barack Obama na eleição presidencial dos Estados Unidos, o fato de ele ter se tornado um ídolo para boa parte da população americana é um dos mais intrigantes. Como na maioria dos países, os políticos americanos não têm boa fama "dentro de casa" e convivem com índices de confiança baixíssimos. A aura messiânica adquirida pelo senador democrata é vista com ceticismo pelo próprio Obama, que chegou a afirmar ironicamente que não nasceu “em uma manjedoura”, e principalmente por analistas, que sempre lembram os desafios enormes na Casa Branca.

Uma das facetas dessa adoração a Obama é a quantidade de músicas feitas em sua homenagem, coisa raríssima entre políticos. Em sua edição online, o jornal espanhol El País conseguiu separar dez músicas inspiradas no político democrata (confira a lista completa, com vídeos, na segunda página desta reportagem), além da famosa Yes, we can (Sim, nós podemos), feita por Will.i.am, do Black Eyed Peas, que montou a canção a partir de um discurso de Obama.

Na seleção musical há espaço para vários ritmos, como salsa, reggae, country e até uma paródia de Hit the Road, Jack!, de Ray Charles. Uma das mais inusitadas é a versão francesa de Yes, we can, que virou Oui, on peut. A música, sem autor definido, é cantada no ritmo zydeco, criado no fim do século 19 pelos negros descendentes dos colonizadores no estado da Louisiana.

Outra música inusitada, e também sem autor, foi gravada como uma canção folclórica irlandesa, que clama pela chegada ao poder do "Obama Boy". Chama a atenção a quantidade de artistas latinos que fizeram músicas para Obama. Esse grupo étnico parecia, durante as prévias do partido democrata, mais inclinado a votar em Hillary Clinton e a rejeitar o senador de Illinois. No dia da eleição, no entanto, a tendência se reverteu, e 66% dos latinos votaram em Obama, segundo a pesquisa de boca-de-urna da rede de TV CNN.




Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfruta de uma popularidade que bate recordes a cada nova pesquisa, mas nem por isso é um sucesso no meio musical. A canção mais famosa em que Lula é citado é Luiz Inácio, dos Paralamas do Sucesso. Na letra, a banda de rock faz referência a uma fala de Lula em 1993, quando o então líder de oposição afirmou que no Congresso havia uma maioria de “trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”.
Por aqui, quem chegou mais perto do fenômeno Obama talvez tenha sido Getúlio Vargas, que governou o país entre 1930 e 1945 e voltou à Presidência em 1951 (interrompendo o mandato com seu suicídio, em 1954). Aliás, ficou muito conhecida naquela época uma marcha que comemorava justamente o retorno de Vargas ao poder. Era Retrato do Velho, de Haroldo Lobo e Marino Pinto: "Bota o retrato do velho outra vez/Bota no mesmo lugar/O sorriso do velhinho/Faz a gente trabalhar". Logo depois, Geraldo Pereira e Arnaldo Passos compuseram o samba Ministério da Economia, em tom de esperança pela política econômica do presidente: “Agora tudo vai ficar barato. Agora o pobre já pode comer.”

A diferença entre Getúlio e Obama é que o governante brasileiro criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que tinha entre suas missões construir uma boa imagem do presidente para a classe artística, recorrendo até a prêmios para melhor samba – desde que alinhado com as idéias de Vargas, é claro. Ou seja, a popularidade dele tem de ser um pouco relativizada por conta dessas estratégias de cooptação.

Já nos anos 80, Getúlio ganhou uma homenagem um tanto irônica de Chico Buarque, com a canção Dr. Getúlio. Na música, em tom de exaltação, ele é "o chefe mais amado da nação" e o refrão diz: "Abram alas que Gegê vai passar/Olha a evolução da história/Abram alas que Gegê vai passar/Na memória popular"

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