segunda-feira, novembro 17, 2008

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Muito bom





Depois de revolucionar os games, virar estilo de vida, bater recordes de vendas e sinalizar uma salvação para bandas e a indústria fonográfica, o gênero de jogos como “Guitar hero” e “Rock band” começa a invadir um novo espaço: as escolas de música.

Em São Paulo, um dos maiores centros de ensino musical do país inaugurou uma sala com Nintendo Wii e os jogos “Guitar hero”, “Rock band” e “American idol”. Esse rock virtual começou a ganhar espaço na escola quando um aluno voltou das férias tocando melhor e falando em bandas como Rolling Stones e The Who. “Eu notei que ele estava apresentando interesse maior em bandas mais antigas, o que acabou ajudando no desempenho dele”, conta Alex Rodriguez, professor de guitarra da Escola de Música e Tecnologia (EM&T). “E o avanço tinha sido causado pelo ‘Guitar hero’”, completa.

Alex conta que não foi difícil convencer a direção da escola a prestar atenção nos games, já que todos tinham ouvido falar da “febre”, iniciada em 2005. Hoje, a sala “de música” virou “de jogos”. Tem guitarras de verdade nas paredes, mas é dominada pela bateria de plástico de “Rock band” e as guitarras de “Guitar hero”. Os jogos, que não fazem parte do programa de ensino oficial da escola, estão disponíveis para que os alunos “toquem” quando quiserem.

Nesses games, o objetivo é acionar os botões coloridos na hora certa para encaixar as notas que passam na tela, reproduzindo músicas de bandas famosas – ou nem tanto. Para Alex, jogos como esses auxiliam no ensino da música por três motivos: trabalham a noção de ritmo, obrigam o jogador a antecipar a leitura de notas e abordam diferentes correntes e movimentos do rock, resgatando bandas que, de outra forma, seriam pouco conhecidas da nova geração.



Com algumas variações entre “Guitar hero” e “Rock band”, a estrutura básica é a mesma: o jogador forma suas próprias bandas e sai para as turnês, tocando em diferentes cidades, ganhando fama e construindo uma carreira. Enquanto “Guitar hero” tem uma visão mais bem humorada do universo do rock, “Rock band” aposta em um perfil sóbrio, com atenção a fatos históricos e informações sobre as músicas.

Somando a trilha sonora das quatro versões de “Guitar hero” e duas de “Rock band” lançadas até o momento, o saldo é de centenas de músicas e dezenas de bandas – desde Black Sabbath e Deep Purple até Sex Pistols e Metallica. Ou, se preferir traçar sua própria linha do tempo, anote outros nomes: Jimi Hendrix, Ozzy Osbourne, Beastie Boys, Weezer, Kiss, Guns N´Roses, Iron Maiden, David Bowie, Bob Dylan, Nirvana, Pearl Jam, Foo Fighters, System of a Down e, finalmente, em 2009, Beatles.


Escola do rock

Em uma “jam session” de Rock Band, o professor Alex forma banda com outros professores e alunos da escola. O jogo da vez é “Rock band”, e eles tocam Oasis (“Don´t look back in anger”), Foo Fighters (“Learn to fly”) e The Clash (Should I stay or should I go”).

No vocal, Clariana Oliveira, de 19 anos, que na “vida real” faz aulas de canto e tem uma banda. Ela escolhe as músicas que sabe cantar, e termina a apresentação com um bom resultado – identificado pela porcentagem de acerto e “títulos” que tentam traduzir o papel do jogador na banda, como “o perfeccionista” ou “o salvador da pátria”.

Ela conta que o nível fácil é bastante simples, mas que a partir do médio já é possível perceber o funcionamento das notas, dos tons e da necessidade de acertar a letra durante a música.

Na bateria está Luís Fabiano, de 26 anos, que estudou bateria na EM&T e hoje dá aulas ali mesmo. “Eu tenho uma aluna que começou a fazer aulas por causa do ‘Rock band’. Ela diz que tocou uma música do Oasis na bateria e se animou”, diz ele.

“Como a bateria é um instrumento percussivo, [o game] fica mais parecido com o instrumento real. Você pode começar do fácil até o mais difícil, então, sem o jogador perceber, ele vai desenvolvendo aos poucos”, explica. O primeiro jogo a ter bateria foi “Rock band” (2007), com um kit contendo um pedal e quatro “pads” coloridos que simulam as partes de uma bateria real. Em 2008, “Guitar hero: world tour” também adotou o instrumento, que foi incrementado com novas partes, assim como em “Rock band 2”.


Outra vantagem dos games, diz Luís, é resolver a questão da disciplina. “Alunos de 12, 13 anos, não têm uma disciplina de estudar todo dia. Com o jogo, isso fica mais fácil, porque ele está se divertindo e acaba aprendendo”.

Quem aprendeu com o joystick tradicional do PlayStation 2 e agora se adapta a uma das guitarras de plástico é Marcelo Zanolla, de 26 anos, outro integrante da banda improvisada na salinha. “O pessoal critica [o game], mas quando experimenta vê que é uma coisa legal. A pessoa entra no mundo da música. É um grande incentivo”, explica.

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